A VERDADEIRA HISTORIA DE CHICO TAMPA E MARIA TAMPADA
Chico era um cabra velho, curtido de sol e chuva, valente matador de aluguel, abusado, gangaceiro de marca os da nova geração. Não tinha piedade nem compaixão. Formado na melhor escola do terror e da maldade. Dizia-se que tinha parte com o Demo de quem era sócio e amigo. A amizade com o Tinhoso não era antiga, nem verdadeira. Tivera uns entreveros com o diabo, a partir do dia em que o Capeta insistiu em assar um sapo na mesma grelha em que nosso valente assava um calango bem gordo. Deu confusão das grandes. Essa passagem não muito clara, que ninguem sabia direito, era muita comentada por toda a região. A refrega só teve fim, quando ele, um cordão de São Francisco arrebatado de um frade passante do Convento Santa Clara, conseguiu amarrar o Peludo. Como o Coisa Ruim de bobo ele não tem nada, ficou amigo do Chico, que de tanta fama, impressionou o Rei dos Infernos. Se despediu com gentiliza, mas o Tição jurou vingança!
Maria Fia, que naquele tempo não era tampada, era mulher de maus bofes. Sem nenhuma vaidade, nunca tomava banho, quase nunca se lavava, muito menos perfumava. Não fedia, nem catinguenta era, mas tinha um
cheiro só dela um budum indefinido e mistura de um não sei quê. Mulher de cara limpa, não usava pinturas ou qualquer pinduricalho. Nem a voz era feminina, condição que só se via e comprovada na certidão de nascimento e no titulo de eleitora. Era valente e encreiqueira. Não havia forrobodó, quebra-pau e maledicencia sem o dedo da Maria.
Apesar do jeito, Chico Tampa era gente. La no fundo bem escondido, tinha la suas carencias: sentia-se muito só, em tremenda solidão. Se até os bichos do mato se arranjam nas coisas do amor, já era tempo dele se arranjar também. Alargou a rede, comprou mais um prato fez tudo em par, de modo a caber mais um no mocó e no seu coração. Foi à luta. Não perdia oportunidade para analisar partidos, possibilidades as coisas das donzelas e das donas também. Não fazia questão de ser o primeiro. Não descartava uma segunda mão.
Por traquinagem do destino, um dia se encontraram. Chico Tampa estremeceu-se, sentiu o que não sabia, era atração e interesse, tudo por essa Maria. Foi correspondido, percebeu um olhar comprido, dengoso, cheio de muito mistério, mas logo entendeu que haveria porfia: a dona já dinha dono!? Foi quando o Bode aparece, transformado em valentão; foi se apresentando pro Chico, contando as suas razões. Foi quando Chico pensou: se tinha visto primeiro, valia a precedencia, garantindo o seu lugar. Seu Chico Tampa na inocencia, nem percebeu a mutreta, a grande aprontação, argumentou com o homem com firmeza e garantia. Provava que o amor primeira era seu, mesmo sem testemunha, pois fora correspondido. O valentão recuou, mas xingou, imprecou, bufou igual boi cansado e desapareceu. O Chico aproximou-se da moça e num colóquio azeitado agendou um compromisso. Foram passear já de noite nos campos do Bom Retiro, lugar muito bonito, onde tudo acontecia. E aconteceu! No entrevero amoroso, percebeu uma coisa estranha: No meio de tanta fartura, na hora dos finalmente ali não havia orificio nem por de frente ou atrás, não havia o que fazer por arte do satanas, quando este apareceu e lhe disse: - Sou eu o coisa ruim. Chico tampa gelou, paralizado de medo. O homem continuou: - Sou o rei da escuridão, que nunca perde batalha. Se eu não posso assar o sapo, agora voce me paga, pois essa dona é minha, não é pra tampa ou tampinha. O Chico tampa nunca tampou, e nunca houve tampada. As coisas que o povo fala é bobeira e fantasia, mentira nunca provada.
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