A pesada emoção da beleza
Outro dia, quarta feira muito
calorenta, saí de casa para um concerto na Igreja São Luiz. Não conhecia a
igreja, pois localizada num morro, o acesso sempre me foi estranho. Mesmo assim,
resolvi enfrentar a ladeira para chegar lá. Fui sem saber direito o que me
aguardava. Cheguei muito mais cedo, e qual minha surpresa com a modernosa
concepção arquitetônica do templo. Repleto de azulejos dourados, a meu ver, oscilava
entre o gosto brega e o inusitado. Gostei do ar condicionado e acabei por
assistir a missa das 19 horas com a presença mínima de senhoras beatas bastante
típicas das missas nesses horários. As 20 horas a igreja começou a ficar lotada
de gente bonita: senhoras de meia idade. Chegaram também muitos jovens pouco acima
da mediocridade medonha, bastante comum por aqui. Haveria apresentação de
música sacra do medieval até o barroco europeu. Cinco rapazes do grupo “cantus
firmus”, tocando instrumentos de época, como alaúde, flautas, tímpanos e címbalos,
cantaram o repertório programado. Abusaram da arte, da técnica. da beleza e
perfeição e me conduziram para o mundo onde a emoção e a beleza absoluta nos faz aflitos e angustiados. Um querido amigo
meu, recentemente falecido, afirmava com muita certeza, que toda beleza dói.
Ele estava certo. Tentei o tempo todo identificar o que estava sentindo, e
apelei para tudo o que sabia a respeito daquilo. Cheguei a conclusão que a
beleza da arte, seja sob o aspecto moral, estético ou espiritual é muito
difícil de ser explicada, mas fácil de ser sintetizada: a beleza é a perfeição
das coisas exteriores, e provoca um sentimento profundo dentro do nosso
espírito. Acaba por ser fonte de prazer para os sentidos e para a nossa
inteligência. Foi muito bom e bonito.
JAIRO BRAZ – natal de 2018
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