sábado, 5 de outubro de 2019

A Pesada Emoção da Beleza


A pesada emoção da beleza
Outro dia, quarta feira muito calorenta, saí de casa para um concerto na Igreja São Luiz. Não conhecia a igreja, pois localizada num morro, o acesso sempre me foi estranho. Mesmo assim, resolvi enfrentar a ladeira para chegar lá. Fui sem saber direito o que me aguardava. Cheguei muito mais cedo, e qual minha surpresa com a modernosa concepção arquitetônica do templo. Repleto de azulejos dourados, a meu ver, oscilava entre o gosto brega e o inusitado. Gostei do ar condicionado e acabei por assistir a missa das 19 horas com a presença mínima de senhoras beatas bastante típicas das missas nesses horários. As 20 horas a igreja começou a ficar lotada de gente bonita: senhoras de meia idade. Chegaram também muitos jovens pouco acima da mediocridade medonha, bastante comum por aqui. Haveria apresentação de música sacra do medieval até o barroco europeu. Cinco rapazes do grupo “cantus firmus”, tocando instrumentos de época, como alaúde, flautas, tímpanos e címbalos, cantaram o repertório programado. Abusaram da arte, da técnica. da beleza e perfeição e me conduziram para o mundo onde a emoção e a beleza absoluta nos  faz aflitos e angustiados. Um querido amigo meu, recentemente falecido, afirmava com muita certeza, que toda beleza dói. Ele estava certo. Tentei o tempo todo identificar o que estava sentindo, e apelei para tudo o que sabia a respeito daquilo. Cheguei a conclusão que a beleza da arte, seja sob o aspecto moral, estético ou espiritual é muito difícil de ser explicada, mas fácil de ser sintetizada: a beleza é a perfeição das coisas exteriores, e provoca um sentimento profundo dentro do nosso espírito. Acaba por ser fonte de prazer para os sentidos e para a nossa inteligência. Foi muito bom e bonito.

JAIRO BRAZ – natal de 2018

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