sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A REPUBLICA DA CAMPANHA



A REPÚLICA DA CAMPANHA

Ao contrário do que imaginava Eça de Queirós nas sátiras de seu tempo, a República Brasileira  não “nasceu pronta” Com seu humor genial e cáustico, o mestre de Os Maias, enxergou com seu pince-nez uma república prontinha para ser inaugurada pelo golpe de espada do Marechal Deodoro. E ironizou  a “criança” que substituía o império, numa bem humorada crônica para o “Diário de Noticias”:
-A surpreendente facilidade com que a  República se substituiu ao Império se deve a circunstância de que há muito, no Brasil, nada mais separava a República da Monarquia. Até o imperador tinha se “desemperializado” a tal ponto que entre um e outro regime já não havia senão um fio. Tão gasto e frouxo que, para cortá-lo, de um golpe brusco, bastou a rombuda espada de um marechal caquético.
- “Revolução”, no Brasil, mais parece uma transformação como nas mágicas populares.    Deodoro dá um sinal com a espada  - e pronto. Imediatamente, sem choque e sem ruído, cenas pintadas por Pedro Américo deslizam rumo a realidade.  Surge uma República. Toda completa e apetrechada. Com bandeira, hino, selo dos Correios e a benção do Arcebispo. Sem atritos e sem confusão. Autoinstalada, essa República começa imediatamente a funcionar...
A rigor, a República Brasileira nunca ficou pronta. Já foi do “café com leite”, República Velha, República Nova,  República do Sarney, República das Alagoas (Floriano, Collor e Renan Calheiros) e, por último República dos Mensaleiros. Agora é a vez da República da chantagem: o PMDB, com metade do governo, renova a fatura e manda para a presidente  Dilma uma nova conta. E, como a primeira medida, entraram em greve; esticaram o carnaval em 13 dias. Trabalham para não trabalhar...
No Brasil, tudo o que interessa é o seguinte: dinheiro para a campanha. No dia seguinte à vitória de um dos seus 32 (!) partidos, começa o terceiro turno: o dos tesoureiros dos partidos, farejando o segredo do cofre...
Há, nestes trópicos caricaturais, uma instituição chamada “base aliada”. Nada mais desafinada do que a tal base. Uma carniça na forma de cargos oferecidos pelo governo em troca de apoio legislativo.
A cada votação, os descontentes apresentam uma nova conta, e deixam os “aliados” na mão.
Se fosse fundar de novo a República, com base nesse movediço alicerce dos “aaliados”, o Marechal Deodoro usaria o talão de cheques  - nunca a espada.
Sergio da Costa Ramos, in Diário Catarinense
Nosso festejado cronista, retratou muito bem a base podre de nossa república podre

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