Pátria amada Salve,
O que é pátria? Fala-se muito no
amor à pátria, sobretudo no que ela merece e espera de nós pobres
cidadãos. Pouco se fala no dever que a
pátria tem para conosco. Afinal o que é pátria? Eu entendo que é a terra da
gente, o lugar onde nascemos, onde respiramos pela primeira vez e a tendência é
amar esse lugar instintivamente, pois é desse torrão natal, que adquirimos a
nacionalidade, o sentimento de pertença a algo que nos identifica. Entendo
também que pátria e o conjunto de características que temos, é o conjunto de
todos os fatores que nos identifica. Minha pátria é o Brasil, do céu azul cor
de anil, brilhante como o sol, dourado como a riqueza; a terra da liberdade e
da democracia....Seriam poucos os adjetivos da nossa língua portuguesa, para
definir a pátria amada Brasil. Minha pátria, monumento materno da minha
nacionalidade, nunca foi tão insultada, vilipendiada, ultrajada como nos
últimos tempos. A minha pátria tem
governo? –Deveria ter mais não tem. A minha pátria tem donos; vários donos que
tiram dela a seiva, a dignidade e a estupram desavergonhadamente,
transformando-a na devassa que troca de amantes de tempos em tempos. A cada
quatro anos ela troca de amantes, donos, aproveitadores de toda ordem. A cada
quatro anos, troca-se a camarilha
canalha em todos os níveis do pretenso governo democrático. Diz-se democrático
porque escolhido por nós cidadãos alienados, entorpecidos pela ignorância, que
a cada quatro anos somos chamados a
homologar um nome negociado pelas quadrilhas aqui chamadas de partido. Participamos
ingenuamente de um jogo perverso, falso na sua origem, deletério por si mesmo.
Elegemos nossos algozes, aqueles que nos executam nas filas dos hospitais, que
nos condenam a uma escolaridade manca e de péssima qualidade, que nos nega as
condições básicas de sobrevivência digna numa pátria rica e exuberante. Força a
população a viver das sobras, das rebarbas, das migalhas não só das riquezas,
mas do que porventura sobrar do butim. Ficamos, nós brasileiros, com o que
sobra da pilhagem praticada por aqueles que deveriam ser agentes do progresso; agentes
do bem estar e administradores de nossas riquezas. Nossa pátria, e por
consequência todos nós, está precisando do amor de todos os cidadãos: não do
amor ufanista e infantil que nos ensinaram no curso primário, mas do amor
decidido, responsável, claro e objetivo para livrá-la daqueles que
adonaram-se deste solo para transformar
a mãe gentil em madrasta malvada, senhora indigna como não deveria ser.
Brasileiros, vamos juntar o que nos resta de patriotismo, e mudar o rumo da
queda inevitável a que nos estão conduzindo. Vamos submetê-la a uma reforma
radical, incisiva. Vamos mudar a regra do jogo de verdade, não só as regras
como também o próprio jogo. Temos opções é só usá-las.
JAIRO BRAZ
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